sábado, 5 de janeiro de 2013

A importância da garatuja


Rabiscos de criança são expressões da curiosidade, são tentativas e descobertas. Você não vai querer reprimir essa força criativa, certo?

É experimentando traços aparentemente sem nexo - as chamadas garatujas - que as crianças pequenas desenham na tentativa de representar o que interpretam do mundo à sua volta. Nos primeiros anos de escolaridade, é particularmente importante explorar sem amarras esse tipo de produção. Muitas vezes, porém, os rabiscos não recebem a devida atenção dos professores. Há certa ansiedade em direcionar o traço dos pequenos.
"Esse cerco, ao contrário do que se imagina, fecha portas para o fazer artístico", afirma Mirian Celeste Martins, professora do curso de pós-graduação em Educação, Arte e Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Muitas crianças chegam ao Ensino Fundamental com a expressividade bloqueada justamente por conta do direcionamento que tiveram na infância para atividades como reproduzir ou colorir desenhos prontos", diz Mirian. Nesse caso, a atenção da criança se volta para a dúvida se o trabalho é reconhecível ou não, em vez de estar no desenho em si. 

Cada rabisco, uma descoberta
Desde a década de 1970, a pesquisadora americana Rhoda Kellog estuda os primeiros traços das crianças. Em suas pesquisas, ela observou e analisou quase 300 mil desenhos de crianças de todo o mundo e identificou padrões de estrutura, como rabiscos básicos e áreas de aplicação dos traços no papel (veja quadro abaixo).

Reprodução

Kellog mapeou 20 tipos de rabiscos de crianças de até dois anos de idade, produzidos de maneira bastante primitiva em variadas combinações. Um tempo adiante, essas linhas convergem para seis diagramas básicos: círculo ou oval, quadrado ou retângulo, triângulo, cruz ou X e formas irregulares. A eles, depois são agregados elementos como sóis, linhas radiais, perímetros e figuras humanas. 

Embora apresentadas de maneira evolutiva, essas classificações não devem ser consideradas fases de desenvolvimento a ser perseguidas. "Elas são representações da ação da criança, de acordo com suas descobertas e com a interpretação que faz do mundo", afirma a professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Rosa Iavelberg. 

Com muita sutileza, portanto, as garatujas revelam o olhar da criança. Observadores, os pequenos experimentam enquanto desenham e acabam estabelecendo relações que ficam na memória. Descobrem os resultados dos movimentos que fazem com o braço, buscam as possibilidades das formas - para depois dominá-las - e encontram os limites do papel. Assim, criam de forma autônoma. "É com a exploração desses rabiscos que a criança vai construir sua produção autoral", acrescenta Rosa. 

Além de ficar atento ao desenho das crianças, é papel do professor criar um ambiente em que o desenho possa ser cultivado (Dois exemplos de atividades: Desenho na sombra e Criação com desafio). Quando possível, oferecer diversidade de materiais e suportes colabora para ampliar o repertório e estimula a viagem criativa da meninada. "A força que faz inventar os modos de desenhar, de jogar com a percepção, de brincar com linhas, formas e cores tem de ser potencializada pelo educador. Abrir esse espaço é mais do que simplesmente deixar fazer", acrescenta Miriam. É preciso instigar a competência simbólica, provocar o aluno a ir além e não apenas ensinar a ele regras práticas da figuração. Com isso, foge-se do controle rígido da representação, que faz os pequenos reproduzir de forma sistemática os modelos estereotipados.

Desenho na sombra


Objetivos 
- Desenvolver a observação 
- Observar as formas das sombras 
- Marcar as sombras com desenho 

Conteúdos 
- Desenho 
- Sombra 

Tempo estimado 
20 minutos 

Material necessário 
Giz de lousa branco, um para cada criança 

Desenvolvimento da atividade 
Buscar um espaço cimentado em que há uma sombra bem visível e sentar em volta. Brincar de colocar partes do corpo na sombra e depois tirar. Criar outras sombras com a mão, com a cabeça... Combinar com as crianças de fazer marcas no interior das sombras. Propiciar que uma criança faça sombra com o corpo e as outras desenhem no interior desta sombra. Deixar que elas explorem o desenho e criem suas marcas sem necessidade de contornar as sombras. Não apagar os desenhos e voltar para eles depois que a sombra mudou de lugar, portanto é necessário ter uma sombra de um elemento fixo. Questionar: o que será que aconteceu? Deixar que criem suas explicações orais e corporais. Pode haver crianças que não queiram desenhar no interior das sombras, mas onde tem luz, observe então o que ela pesquisa e intervenha sem rigidez, pois o objetivo é para aguçar a observação e trabalhar com sombra/luz e desenho. 

Avaliação 
Observe a exploração das crianças, quais as curiosidades que têm em relação à sombra. Valorize a observação, incentivando-as a buscar outras sombras, assim como a criá-las. 

Ao desenharem no interior da sombra, comente a pesquisa das crianças, socializando as descobertas enquanto trabalham. Registre a pesquisa das crianças, o que falaram, como agiram, desenharam, para que possa utilizar como ponto de partida para uma próxima exploração com sombra e desenho.


Criação com desafio

Objetivos - Desenhar de acordo com diferentes estímulos sensoriais. 
- Descobrir possibilidades gráficas. 
- Trocar repertório gráfico com os colegas. 
- Produzir interferências criativas. 

Conteúdos 
- Desenho. 
- Texturas. 
- Grafismos. 

Ano 
Pré-escola. 

Tempo estimado 
Quatro a cinco aulas de 50 minutos. 

Materiais necessários 
Vários sacos opacos com objetos de texturas diferentes (pedras, tecidos, lixas, botões, grãos, folhas etc.); papel sulfite recortado em tamanhos pequenos; cartolina branca cortada em pedaços maiores que os de papel sulfite; pedaços de tecido, lixas, papelão ondulado, papel de seda ou outro material para suporte; molho de chaves; sino de mesa; casca de coco; sachês de chá de diferentes aromas e canetas hidrográficas pretas. 

Desenvolvimento 
Apresente toda a seqüência para que a garotada conheça o percurso e o destino das produções. 

• Atividade 1 
Coloque os sacos plásticos com as diferentes texturas sobre uma mesa e peça para que as crianças coloquem a mão dentro e percebam a superfície deles. Depois de cada toque, elas devem desenhar em um pedaço pequeno de sulfite de acordo com a sensação que tiveram. Elas só poderão ver o que tem dentro depois. 

• Atividade 2 
Ofereça suportes de diferentes cores, tamanhos e texturas. Solicite que todos fechem os olhos e produza estímulos sonoros e olfativos: chacoalhe chaves, toque um sino de mesa, bata na casca do coco e balance os sachês de chá próximo às crianças. A cada ação, peça que abram os olhos e façam um desenho, todos no mesmo suporte. 

• Atividade 3 
Coloque as produções das atividades anteriores em dois sacos. Cada criança retira um pedaço de papel de dentro deles, escolhe um pedaço de cartolina para colá-lo e desenha com caneta hidrográfica preta com base nele. Esse papel já com a intervenção será o suporte de uma obra maior. Algumas crianças podem realizar um único trabalho enquanto outras, vários. O tempo de envolvimento de cada uma também é traço da marca pessoal. Por isso, as atividades precisam ser flexíveis para atender essas diferenças. 

Avaliação 
Observe as diferenças de resultados após os estímulos táteis, sonoros e olfativos e identifique a troca de repertório entre o grupo. Faça uma apreciação coletiva do que foi criado nas diferentes situações, identificando o uso de grafismos e texturas. Verifique as transformações nos desenhos realizados em várias situações e, quando julgar necessário, faça intervenções individuais.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

O BISCOITO


REFLETINDO


"Certo dia, uma moça estava a espera de seu voo na sala de embarque de um aeroporto. Como ela deveria esperar por muitas horas, resolveu comprar um livro para matar o tempo. Também comprou um pacote de biscoitos.
Então, ela achou uma poltrona numa parte reservada do aeroporto para que pudesse descansar e ler em paz. Ao lado dela se sentou um homem.
Quando ela pegou o primeiro biscoito, o homem também pegou um. Ela se sentiu indignada, mas não disse nada. Ela pensou para si: "Mas que cara de pau. Se eu estivesse mais disposta, lhe daria um soco no olho para que ele nunca mais esquecesse...
A cada biscoito que ela pegava, o homem também pegava um. Aquilo a deixava tão indignada que ela não conseguia reagir. Restava apenas um biscoito e ela pensou:
O que será que o abusado vai fazer agora? Então, o homem dividiu o biscoito ao meio, deixando a outra metade para ela. Aquilo a deixou irada e bufando de raiva. Ela pegou o seu livro e as suas coisas e dirigiu-se ao embarque.
Quando sentou confortavelmente em seu assento, para surpresa dela, o seu pacote de biscoito estava ainda intacto, dentro de sua bolsa.
Ela sentiu muita vergonha, pois quem estava errada era ela, e já não havia mais tempo para pedir desculpas. O homem dividiu os seus biscoitos sem se sentir indignado, ao passo que isto a deixara muito transtornada.
Em nossas vidas, por vezes,  não temos a consciência de que quem está errado somos nós."

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Nó no Lençol



Em uma reunião de pais numa escola de periferia, a diretora incentivava o apoio que os pais deveriam dar aos filhos. Colocava esta diretora também que os mesmos deveriam se fazer presentes para os filhos; entendiam que, embora soubesse que a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhassem fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar e atender às crianças. 
Ela ficou muito surpresa quando um pai se levantou e explicou, na sua maneira humilde, que ele
não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana, pois quando ele saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda esta dormindo, e quando voltava do trabalho, o garoto já havia deitado, por chegar muito tarde. 
Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para poder prover o sustento da sua família. Porém, ele contou também que isso o deixava angustiado não ter tempo para o filho, mas que tentava se redimir, indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa e, para que o filho soubesse de sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia, religiosamente, todas as noites quando ia beijá-lo. 
Quando este acordava e via o nó, sabia através dele que o pai havia estado ali e o havia beijado. O nó era o elo de comunicação entre eles. Mais surpresa ainda a diretora ficou, quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da sala. E se fez refletir sobre as infinitas maneiras que pais e filhos têm de se comunicarem, de se fazerem presentes nas vidas uns dos outros. O pai encontrou sua forma — simples, mas eficiente — de se fazer presente e, o mais importante, de seu filho acreditar na sua presença.
Autor desconhecido


quinta-feira, 14 de junho de 2012

João, preste atenção! é um livro sobre os sentimentos de um menino chamado João que descobriu que tinha dislexia



"Assim como João, inúmeras outras crianças, como bom nível intelectual, são incapazes de utilizar adequadamente alguns instrumentos básicos de comunicação, como a leitura, a escrita, a interpretação de textos ou o aprendizado de uma 2ª língua, sendo muitas vezes totalmente desmotivadas pelo baixo desempenho na vida escolar."
- trecho do livro João, preste atenção!

Conheça um livrinho muito bacana sobre o João, um menino com dislexia que aprendeu a ser muito mais feliz. Clique no link abaixo

Aumentar espaço entre as letras ajuda disléxicos a ler

Crianças disléxicas podem ler melhor e mais rápido quando há uma separação maior entre as letras de um texto, segundo um estudo publicado na revista Atas da Academia Americana de Ciências (PNAS).


O trabalho, realizado por cientistas europeus com 54 crianças italianas e 40 francesas, todas com dislexia e idades entre 8 e 14 anos, mostrou que a precisão para decifrar palavras duplica e a velocidade de leitura aumenta 20% quando o espaço entre as letras é maior.
«Os nossos resultados proporcionam um método prático para melhorar a leitura dos disléxicos sem necessidade de treino especial», concluiu o estudo liderado por Marco Zorzi, do Departamento de Psicologia da Universidade de Pádua (Itália). Os cientistas atribuem o feito a que, com um espaço maior, se mitiga o fenómeno de «aglomeração» das letras que leva os disléxicos a não conseguirem distinguir claramente os caracteres.
Os trabalhos apresentados às crianças incluíram 24 frases curtas que deviam ler em duas versões: uma com o texto apresentado de forma normal e outra com o texto apresentado com espaço maior entre as letras.
O texto normal estava escrito com corpo de letra de 14 pontos, enquanto na outra versão, o espaço entre as letras aumentou 2,5 pontos (um ponto corresponde a 0,353 mm, segundo os padrões).
«O espaço entre I e L na palavra italiana 'il' (que significa ele) passou de 2,7 pontos (...) para 5,2 pontos», explicou o estudo.
Os resultados são particularmente animadores porque separar mais as letras não só aumenta a velocidade de leitura das crianças disléxicas, mas beneficia especialmente os disléxicos mais graves, o que demonstra a eficácia do método.
Este, no entanto, não faz efeito nas crianças não disléxicas, segundo os autores, provenientes da Universidade de Aix-Marseille (França) e do Centro Nacional de Pesquisa Científica francês (CNRS).
A dislexia é um transtorno que afecta a parte do cérebro dedicada à interpretação da língua. Não tem cura e estima-se que afecte 15% dos americanos. Para tratá-la, costuma recomendar-se acompanhamento adicional e um intenso enfoque na leitura.

sábado, 14 de abril de 2012

Por que as crianças sentem medo

 É na infância, sobretudo até os 5 anos, que série de temores aflora de maneira mais intensa. Aprenda a detectá-los e deixar os baixinhos mais tranquilos nessa hora.  O medo faz parte da natureza humana. É um estado emocional que ativa os sinais de alerta do corpo diante dos perigos e uma importante etapa do amadurecimento afetivo de bebês. A tarefa dos pais é ajudá-los a lidar com os próprios temores, que tendem a florescer ainda mais nos primeiros aninhos de vida. Mas qual o limite entre o medo normal e o exagerado? O que fazer quando o pequeno começa a sofrer? Para a psicóloga Maria Tereza Maldonado, de São Paulo, o saudável é buscar o equilíbrio. “A falta de medo expõe a criança ao risco e o excesso dele faz com que ela se feche, numa espécie de prisão sentimental”, explica a especialista. “O ideal é ajudar a criança a identificar o medo ‘amigo’ e o medo ‘inimigo’. O primeiro ela deve obedecer, e o segundo, desobedecer.”
Na prática, o que se espera é que o pequeno aprenda a dominar seus temores e não ser dominado por eles, assim como acontece com os adultos. A diferença é que meninos e meninas têm uma percepção mais inocente dos acontecimentos, uma imaginação bastante fértil e uma menor capacidade de discernimento dos fatos. “Esses três ingredientes juntos transformam um simples ralo de piscina na mais pavorosa ameaça à vida humana”, ilustra Maria Tereza, cujo filho passou por essa situação. “Ele viu uma folha ser tragada pelo ralo e deduziu que o mesmo aconteceria com qualquer um que entrasse na água.” Identificar a origem ou mesmo a existência do medo infantil exige dedicação. É preciso estar atento aos sinais demonstrados pela criança e saber conversar com ela sobre o que lhe causa pavor. Os pais e os responsáveis devem dar corda e valorizar tudo o que a garotada diz. Também precisam lembrar-se de que nem sempre os pequenos se comunicam por palavras. “A oportunidade de se expressar dá à criança a chance de encontrar a saída sozinha”, garante Maria Tereza.


Sintomas
O medo excessivo causa reações fisiológicas e comportamentais na criança. Coração palpitante, calafrios, suor nos pés e nas mãos, sono intranquilo, descontrole para fazer xixi, diarreia e dor de barriga são alguns dos indícios do problema. “Quando esse quadro se instala, a saúde da criança pode ser prejudicada por causa de uma desidratação ou anemia, por exemplo”, alerta a psicopedagoga Eliane Pisani Leite. As reações comportamentais – inibição e agressividade – por sua vez prejudicam a rotina da criança, mas podem se agravar e virar fobias, caracterizadas por reações exageradas que fogem ao controle da criança. Para detectar essas situações o quanto antes, conheça os principais tipos de medo.


Tipos de medo comuns na infância
O pediatra carioca Júlio Dickestein diz que o medo costuma surgir diante de alguns elementos reais na vida de uma criança: o médico, a creche ou escola, a alimentação, a violência e a dor recorrente. Essas causas reais geram um medo verdadeiro, mas também podem derivar para estados secundários (medo de escuro, de monstros etc.). “Cada criança reage de uma maneira e o temor pode se tornar banal ou catastrófico”, explica o médico. “O importante é que os pais saibam a origem do medo, que acaba se manifestando de forma mais clara quando a criança fica sozinha ou está em lugares escuros”, explica o pediatra.


• Médico


A criança já chega estressada à consulta. Tudo é diferente. Em seguida, fica sem roupa diante de um estranho com objetos ameaçadores, que são postos na garganta, no ouvido, no peito... Isso sem falar na injeção. Para minimizar o apavoramento que tanta novidade causa, brinquedos podem ser ótimos aliados.


• Creche e escola


É uma etapa difícil para qualquer criança: separar-se dos pais por períodos prolongados pela primeira vez. Os pequenos se sentem desprotegidos na fase de adaptação. Para seu filho ficar mais seguro, seja fiel aos horários. Esteja esperando por ele na hora da saída da creche ou da escola.
• Alimentação
A comida leva a um círculo vicioso muito comum. Os pais querem que a criança coma, mas a criança não quer comer. E, quanto mais eles forçam, pior fica a situação. Resultado: o pequeno trava à mesa. Tornar a refeição um momento descontraído é uma boa forma de diluir esse amedrontamento. Procure enaltecer os prazeres proporcionados pelos alimentos (isso vale mais do que festejar quando a criança come ou castigar quando recusa um alimento).

• Dor permanente
Costuma estar associada a doenças. Por exemplo, à intolerância a algum tipo de alimento, como o leite. As cólicas persistentes fazem com que a criança fique alarmada diante da comida. Nessa situação, não engane seu filho. Diga a verdade sobre a relação entre o alimento e a dor que sente. O pediatra sempre poderá ajudar você a traduzir para a linguagem do pequeno essa relação.

• Violência
É o tema mais difícil de abordar, mas infelizmente acontece com frequência. O pior é que essa causa tem a ver diretamente com os pais. Da negligência afetiva (mãe e pai que deixam os filhos emocionalmente desamparados porque estão sempre cansados do trabalho, por exemplo) à palmada, de ameaças a humilhações, todo tipo de sofrimento físico e psíquico causado à meninada pode gerar medo e marcar o pequeno pela vida toda.

Medos infantis secundários

Eles podem ser derivados de situações de medo real que a criança viveu ou aparecerem sem justificativa por causa da imaginação fértil das crianças.

Escuridão
A falta de luz favorece a imaginação das crianças. Nesse cenário, vultos e sons podem ganhar dimensão e se transformar em figuras amedrontadoras na cabecinha delas. Alguns segundos no escuro antes de dormir, conversando com o pai ou a mãe, são uma forma de estimular a criança a vencer a inquietação. Deixar uma luz indireta próxima à cama também colabora.

Ficar sozinho
Na cabeça da criança, a ausência de uma pessoa da família por perto pode significar que ela está à mercê de todos os perigos. Deixe absolutamente claro que ela não vai ficar desamparada e que você não vai desaparecer da vida dela! Mas fale sempre a verdade, de preferência olhando nos olhos dela. Diga ao pequeno que você vai, mas que volta. Em geral, é aconselhável estimular a criança a enfrentar esse medo aos poucos. Isso faz com que ela desenvolva a autoconfiança e se sinta cada vez mais segura. É importante não confundir medo com birra. O choro pode ter vários significados. Um escândalo na porta da escola ou na casa da avó nem sempre é sinal só de pavor. Fique atento ao semblante da criança e procure acalmá-la sempre, conversando.

Fantasia
Monstros, fantasmas, bichos-papões e homens do saco sempre farão parte do imaginário infantil. Afinal, são elementos presentes nas historinhas que as crianças ouvem e assistem e nas brincadeiras que fazem. Esse universo lúdico é fundamental para o desenvolvimento dos pequenos ao estimular sua capacidade inventiva, função importante do pensamento. Mas ele também pode alimentar os chamados medos “inimigos”, principalmente quando os pequenos estão sozinhos ou no escuro. Nessa hora, a conversa e a brincadeira são as melhores ferramentas para ajudar meninos e meninas a lidar com suas fantasias. Exemplo: a sombra na parede pode se transformar em aliada no enfrentamento de medos (em vez de causá-los).

Terror noturno
É um medo patológico que, estima-se, atinge até 15% das crianças em idade pré-escolar. As causas não estão totalmente esclarecidas. O pequeno acorda sobressaltado durante a noite e demonstra estar mais apavorado do que o razoável, com semblante de terror. É difícil acalmá-lo. Ele praticamente não consegue acordar completamente durante a crise e costuma transpirar bastante. O coração também dispara. Em geral, a criança não se lembra do que a assustou ou tem apenas uma lembrança imprecisa de algo pavoroso durante o sono. Nesse caso, é importante sempre tranquilizá-lo sem gritos e buscar ajuda profissional de psicólogos ou psiquiatras.

Medos reais
São os chamados medos “amigos” porque protegem a criança dos riscos oferecidos por escadas, estranhos, animais, lugares altos, água, por exemplo. Devem ser estimulados com informação para que ela desenvolva a cautela sem exageros. Assim, terá a percepção do risco e a atitude de autoproteção, conseguindo enfrentar a situação de uma maneira menos sofrida.

Medos comuns por idade

0 a 18 meses
Barulhos estranhos ou altos, luzes intensas, pessoas estranhas e riscos de quedas. O bebê chora ou fica irritadiço e agitado.

18 a 36 meses
Água, pessoas mascaradas (Papai Noel), escola e tudo o que for estranho à sua rotina. É importante saber que a zona de conforto do bebê está ligada à ordem.

3 a 5 anos
Fantasias assustadoras, como monstros e fantasmas. É a fase da imaginação fértil, que pode se intensificar na hora de dormir. Ela acontece por causa do desenvolvimento da massa cinzenta. Vale lembrar que a capacidade de imaginação aumenta à medida que ocorre o desenvolvimento biológico do cérebro.

A partir dos 6 anos
Medos mais vinculados à realidade, como o de ladrões e o de acidentes em geral. A família deve transmitir a malícia necessária para a criança ter segurança. Nessa hora, é importante demonstrar como agir em uma piscina ou, então, o que fazer diante do assédio de estranhos.

Como lidar com o medo infantil

- Dê atenção, questione e estimule a criança a enfrentar o medo irreal (ou inimigo): ela encontrará sozinha uma solução para suas fantasias. Exemplo: a sombra na parede pode se transformar em uma aliada no confronto dos medos (em vez de causá-los).

- Não gaste tempo demais falando sobre o assunto para evitar que a criança fique ainda mais ansiosa. Mude de tópico, distraia.

- Fale a verdade sobre os medos reais (ou amigos) para que a criança construa noções de perigo. Exemplo: ela tem de saber que escadas, piscinas e animais presos representam riscos. Mas faça isso sem aterrorizá-la.

- Brinque com seu filho e entre na fantasia dele (a do bicho-papão, por exemplo): experiências lúdicas ajudam os pequenos a lidar com seus anseios.

- Bonecos e brinquedos treinam a criança para a vida. Os pequenos costumam representar em brincadeiras o sentimento de medo frente a uma situação real, como a ida a um hospital.

- Avalie a intensidade do medo e fique atenta para o limite da normalidade, que é a rotina saudável de vida.

- Faça a apresentação formal das pessoas para que a criança saiba que aquele estranho tem autorização do pai para se aproximar. É verdade que nem sempre isso funciona. Nesse caso, é preciso ter paciência e saber dar tempo ao tempo. Essa fase passa. Mas é importante não confundir o choro da criança que fica sem a mãe a semana inteira e não quer largar o colo no fim de semana do choro de medo de estranhos.

- Ofereça objetos para ela se sentir mais segura, principalmente na hora de dormir sozinha. São os chamados objetos transicionais, que reduzem a ansiedade da criança durante a passagem da vida desperta para o sono. Pode ser o famoso ursinho, o naná, a boneca e até a mantinha. O importante é que ele tenha algo familiar à mão para enfrentar os temores na hora de dormir.

- Jamais use o medo da criança como meio de poder: além de cruéis, ameaças de deixar o filho sozinho ou no escuro reforçam o medo inimigo.


 Fonte: www.bebe.com.br

domingo, 29 de janeiro de 2012

O Obstáculo



Certa vez um cão estava quase morto de sede, parado junto à água. Toda vez que ele olhava o seu reflexo na água, ficava assustado e recuava, porque pensava ser outro cão. 
Finalmente, era tamanha a sua sede, que abandonou o medo e se atirou para dentro da água. Com isto, o reflexo desapareceu. 
O cão descobriu que o obstáculo , que era ele próprio , a barreira entre ele e o que buscava, havia desaparecido. 

(Extraído do livro "Antes Que Você Morra", de Osho Rajneesh).

domingo, 22 de janeiro de 2012

PEQUENOS FILÓSOFOS - UM HIPOPÓTAMO PROCURA UM OLHO


Episódio da série animação Pequenos Filósofos, que mostra contos e fábulas de diferentes culturas que despertam nas crianças e jovens uma consciência a respeito da moral e seus valores.

Esta história fala sobre ansiedade e calma.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Reprovação Escolar

Seu filho foi reprovado na escola?
É a primeira, a segunda reprovação? E agora ?
A retenção na série é decorrência de vários fatores: desinteresse, falta de hábito de estudo, desorganização, dificuldade de aprendizagem, baixa - estima, metodologia da escola, etc.
Se isto aconteceu é hora de procurar um  profissional especializado.
Ele vai investigar o que está acontecendo , orientar e intervir na situação.

Entre em contato.

Tel: 2592-3916 e 9319-0781

Regina de Andrade
Psicóloga - Especialista em Psicopedagogia
CRP 057324

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Valorizar experiências pessoais dos alunos aumenta aprendizado

Não basta entender como se aprende, é preciso descobrir a melhor forma de ensinar. Há décadas, a psicologia, amparada pela neurocência, difunde que quando um aluno que se sente afetivamente protegido é desafiado a aprender, ocorrem mudanças físicas e químicas em seu cérebro, o que facilita o acolhimento e a reconstrução de informações.
A pedagogia neurocientífica, como denominam alguns pesquisadores, pode ser compreendida como o estudo da estrutura, do desenvolvimento, da evolução e do funcionamento do sistema nervoso com enfoque plural: biológico, neurológico, psicológico, matemático, físico e filosófico. Nessa equação complexa, processos químicos e interações ambientais se aproximam e se complementam, propiciando aquisição de informações, resolução de problemas e mudanças de comportamento. Na prática, a aproximação entre as neurociências e a pedagogia pode reverter em melhoria da qualidade de ensino para milhares de estudantes.
Os benefícios são bem-vindos – e necessários. Afinal, a realidade é preocupante. Levantamento do Ministério da Educação revela que 20% dos brasileiros entre 15 e 19 anos são analfabetos, o que representa 12% da população brasileira. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Brasil tem o sétimo maior contingente de analfabetos do planeta. Mais que mapear o cérebro, desvendar meandros de seu funcionamento, compreender fluxos e refluxos de neurotransmissores, acompanhar dinâmicas complexas e transformar passos da resolução de um problema em modelos matemáticos, observar e diagnosticar, pesquisadores de diferentes segmentos estão interessados nas implicações sociais da aquisição de conhecimentos que possibilitem a inclusão de milhares de crianças, adolescentes e adultos – e não apenas no que diz respeito à quantidade de pessoas com acesso à escola, mas também levando em conta a qualidade da educação
oferecida.
O cérebro humano, porém, não possui nenhum módulo automático que permita o domínio de práticas como a leitura, a escrita ou o cálculo. O aprendizado é sempre um processo único, que envolve afeto. Por isso, conhecer a história do aluno e tratá-lo como sujeito único pode mudar o rumo de sua vida. É fundamental valorizar suas experiências.

Fonte: Revista Mente e Cérebro

domingo, 20 de novembro de 2011

Ato Médico: parecer do relator aguarda votação pela CCJ

O Projeto de Lei do Senado (PLS nº 268/2002), conhecido com PL do Ato Médico teve origem no Senado Federal, passou por análise na Câmara dos Deputados (PLC nº 7703/2006), onde recebeu alterações e voltou ao Senado, onde se encontra no momento.
Na CCJ recebeu o parecer do relator senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), no dia 9 de novembro de 2011, pela aprovação do projeto, com alterações. Veja aqui íntegra do parecer. O PL aguarda sua inclusão na Pauta da CCJ, para que seja votado o parecer apresentado. Não há prazo determinado para que isto ocorra.
Depois, segue para a análise das seguintes comissões: Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ); Educação, Cultura e Esporte (CE) e Assuntos Sociais (CAS). 
Para a Psicologia, vale destacar os seguintes itens do parecer do senador Valadares:
·         Art. 4º; § 2º: “Não são privativos do médico os diagnósticos funcional, cinésio-funcional, psicológico, nutricional e ambiental, e as avaliações comportamental e das capacidades mental, sensorial e perceptocognitiva.” (página 13)
·         Art. 4º; § 7º: “O disposto neste artigo será aplicado de forma que sejam resguardadas as competências próprias das profissões de assistente social, biólogo, biomédico, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, profissional de educação física, psicólogo, terapeuta ocupacional, técnico e tecnólogo de radiologia.” (página 15)  
F

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Como diagnosticar o Transtorno Bipolar em crianças e adolescentes

ALERTA
O documento abaixo é de autoria do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia, uma entidade de pesquisas pan-europeia, sem fins lucrativos.
O objetivo da publicação é orientar médicos e profissionais de saúde quanto aos estudos mais recentes no diagnóstico e tratamento de transtornos de humor, sobretudo o chamado transtorno bipolar, em crianças e adolescentes.
Seu conteúdo não deve ser usado por leigos em substituição ao parecer médico. O diagnóstico e o tratamento de qualquer condição só podem ser feitos e recomendados por profissionais médicos especializados.
O Cérebro Emocional na Juventude
Como diagnosticar e tratar transtornos de humor em crianças e adolescentes
Diagnosticar o transtorno bipolar em adolescentes já se estabeleceu como prática médica, apesar das muitas vozes contra uma eventual "medicalização" de situações que não deveriam ser sujeitas a tratamentos.
Com isto, se a bipolaridade existe realmente em crianças é um assunto que permanece controverso entre os cientistas, apesar de numerosos estudos que têm sido realizados sobre este tema nos últimos 15 anos.
Como o diagnóstico de transtorno bipolar em crianças vem aumentando ao longo dos últimos dez anos, clínicos, pesquisadores, pais e outras pessoas que cuidam de crianças ficam se perguntando ao que se deve este aumento dramático no diagnóstico de transtorno bipolar pediátrico (Dickstein, 2010):
Trata-se de um melhor reconhecimento de um distúrbio psiquiátrico importante, ou deve-se a um excesso de diagnósticos, diagnósticos equivocados, ou uma moda?
Em resposta a este aumento, tem crescido também o interesse tanto clínico quanto de pesquisa nas doenças bipolares pediátricas, incluindo um re-exame dos critérios para o diagnóstico desta condição com base nas melhores descobertas científicas da neurobiologia.
Transtorno bipolar
Clinicamente, o transtorno bipolar é uma desordem afetiva grave, na qual o humor tipicamente oscila do pólo maníaco da euforia e/ou da irritabilidade extrema, à depressão e perda de interesse ou prazer.
Episódios mistos são caracterizados pela apresentação simultânea de sintomas maníacos e depressivos.
O transtorno bipolar pode ser dividido em dois subtipos principais - transtorno bipolar tipo I e transtorno bipolar tipo II -, embora a expansão do espectro bipolar possa ser de relevância clínica.
O transtorno bipolar tipo I é caracterizado por um histórico de pelo menos um episódio maníaco, com ou sem sintomas depressivos.
O transtorno bipolar tipo II é caracterizado pela presença tanto de sintomas depressivos quanto de uma forma menos grave de mania ("hipomania").
Os períodos entre os episódios agudos podem durar meses, ou mesmo anos, no início do curso da doença, mas depois os períodos livres de sintomas tendem a diminuir. O chamado "ciclo rápido" é uma variante específica no seguimento da doença que é definida pela ocorrência de quatro ou mais episódios por ano.
O transtorno bipolar em crianças e adolescentes
O transtorno bipolar é um problema de saúde significativo devido ao seu início precoce e sua evolução crônica, podendo durar por toda a vida, com recaídas e forte incapacitação.
Em crianças e adolescentes, a doença resulta em consideráveis limitações funcionais e altas taxas de internação psiquiátrica (Axelson et al., 2006).
De acordo com estudos retrospectivos, 20% dos adultos com transtorno bipolar tiveram seus primeiros sintomas antes da idade de 20 anos (Lish et al, 1994; Perlis et al, 2004).
Diagnóstico do transtorno bipolar
Para diagnosticar o transtorno bipolar I em adolescentes, são usados critérios para adultos (DSM-IV), exceto que (Diretrizes NICE, 2006):
  • Mania deve estar presente.
  • Euforia deve estar presente na maioria das vezes (no decurso dos últimos 7 dias).
  • Irritabilidade deve ser observada se é episódica, grave, se resulta em disfunção e se não é de caráter ou está fora de sintonia com o contexto.
A fenomenologia específica do transtorno bipolar em adolescentes é caracterizada por (Birmaher et al, 2006; Carlson et al, 1994..):
  • Episódios mais heterogêneos do que os puramente maníacos.
  • Irritabilidade frequente e comportamento agressivo
  • Características psicóticas em 30% dos episódios agudos (os quais podem levar a erros de diagnóstico em 50% dos casos).
  • Perfil de ciclagem rápida observada mais frequentemente.
  • Desinibição sexual.
  • Altas taxas de comorbidades com o Transtorno de Déficit Atenção/Hiperatividade (TDAH), abuso de substâncias e transtornos de ansiedade e conduta.
Características clínicas, tais como euforia, grandiosidade, hipersexualidade, pensamentos competitivos e diminuição da necessidade de sono são típicos de manias associadas com transtorno bipolar primário, a fim de distingui-lo de pacientes com TDAH primária (Birmaher et al., 2006).
Quanto mais jovem for a criança, mais rara é a [ocorrência da] condição de transtorno bipolar.
No entanto, não há dúvida de que um número substancial de pré-adolescentes tem sintomas de mania, geralmente sobrepostos a uma série de diferentes condições psiquiátricas e desenvolvimentais (Carlson, 2005).
Estudos recentes têm mostrado que "sintomas maníacos" em crianças podem ser mais comuns do que se pensava. A necessidade de evitar confusão terminológica com o transtorno bipolar é agora consensual (Dickstein, 2010).
Se os sintomas maníacos crônicos em crianças representam (1) um distúrbio de desenvolvimento que vai mudar durante a vida adulta; (2) o surgimento precoce do transtorno bipolar I; (3) um novo subtipo do transtorno bipolar (por exemplo, crônico com ciclagem rápida); ou (4) um risco de desenvolvimento posterior do transtorno bipolar I (fenótipo estreito) ainda precisa de mais investigação (Carlson, 2005).
Uma visão desenvolvimental é crucial para entender o complexo de sintomas maníacos em crianças e adolescentes.
Existe um continuum entre transtorno bipolar pediátrico e bipolar tipo I em adolescentes?
Há muito poucos argumentos para apoiar a hipótese de que o transtorno bipolar em adolescentes (episódios de doença claramente definidos e os chamados períodos eutímicos, sem sintomas) e o chamado "transtorno bipolar pediátrico" são a mesma doença ou dois transtornos relacionados em um continuum comum.
Além disso, os jovens com transtorno bipolar e TDAH comórbido tendem a ser menos sensíveis às drogas usadas no transtorno bipolar, sugerindo que sintomas maníacos crônicos comórbidos com TDAH em jovens podem não ser a mesma condição ou um continuum em vez de um transtorno bipolar ciclóide típico (Consoli et al ., 2007).
Uma nova abordagem sugere um sistema fenotípico de mania juvenil consistindo de um fenótipo restrito, dois fenótipos intermediários e um fenótipo amplo (Leibenluft et al., 2003). O fenótipo estreito de mania inclui principalmente adolescentes com episódios claros de mania eufórica.
Por outro lado, o fenótipo amplo, chamado "Desregulação Grave do Humor" é apresentado por pacientes mais jovens que têm um curso crônico, não-episódico da doença, que não inclui os sintomas característicos da mania, mas compartilha com os fenótipos mais estreitos os sintomas de irritabilidade severa e hiperatividade tipo TDAH.
De fato, estes pacientes parecem responder melhor a tratamento farmacológicos e não-farmacológicos tipo ADHD (Waxmonsky et al., 2008).
Esta abordagem e pesquisas posteriores deram origem ao novo diagnóstico de Transtorno do Temperamento Irregular com Disforia (TTID), o que significa uma mudança potencial no sistema de classificação de diagnóstico do DSM-V agendado para publicação em maio de 2013.
No entanto, um diagnóstico de TTID exclui o sintoma tipo ADHD de hiperexcitabilidade devido a preocupações de que isto poderia potencialmente levar a um aumento nos diagnósticos de TDAH.
Em geral, tais critérios induziram o surgimento de uma linha incrivelmente produtiva de pesquisas demonstrando diferenças fenomenológicas (curso episódico vs crônico, eufórico vs humor irritável) e iniciando discussões que são relevantes para clínicos e pesquisadores (Dickstein, 2010; Leibenluft, 2011; Masi et al., 2008).
Tratamento do transtorno bipolar na juventude
Terapia farmacológica
O tratamento adequado para crianças e adolescentes com transtorno bipolar tem benefícios essenciais com relação ao desempenho escolar, comprometimento escolar ou profissional, estresse no relacionamento, uso comórbido de substâncias e prevenção de suicídios.
A farmacoterapia da mania compreende os chamados estabilizadores de humor (lítio, por exemplo), os antipsicóticos atípicos ou de segunda geração (ASGs) e antipsicóticos típicos (clorpromazina).
O uso de estabilizadores do humor ou antipsicóticos no tratamento de crianças e adolescentes parece ter valor limitado quando ocorre uma condição de comorbidade como a TDAH, a menos que o comportamento agressivo seja o sintoma-alvo (Consoli et al., 2007).
Efeitos subjetivos adversos desempenham um papel central na experiência de tomar drogas antipsicóticas (Moncrieff et al., 2009).
Em adultos, os antipsicóticos de segunda geração (ASGs) têm mostrado uma boa relação benefício/risco no transtorno bipolar, com uma baixa frequência de síndrome motora extrapiramidal (SME) e uma frequência moderada de efeitos metabólicos adversos, como a síndrome metabólica e diabetes.
Ainda assim, o conhecimento disponível sobre o uso de ASGs em crianças e adolescentes é limitado.
Para avaliar a relação benefício/risco de ASGs em crianças e adolescentes, uma meta-análise bayesiana com um total de 4.015 pacientes analisou recentemente 41 estudos controlados de curto prazo (3 semanas) que avaliaram os efeitos adversos dos ASGs em jovens, incluindo 12 em jovens com transtorno bipolar (Cohen et al., submetido para publicação).
Em comparação com adultos, descobriu-se que os jovens são mais vulneráveis aos efeitos adversos dos ASGs. Todos os ASGs aumentaram o risco de sonolência/sedação.
Além disso, em comparação com o placebo, foram observados significativas alterações relacionadas com o tratamento com substâncias específicas sobre o ganho de peso, variáveis metabólicas (incluindo prolactina) e sintomas motores-extrapiramidais.
Os antipsicóticos de segunda geração (ASGs) representam um tratamento eficaz para crianças e adolescentes com transtorno bipolar, de acordo com o que diferentes perfis de tolerabilidade devem ser considerados na tomada de decisão de tratamento (Cohen et al., submetido para publicação).
Terapias não-farmacológicas
Além do tratamento farmacológico, estratégias educacionais e psicossociais, incluindo a psicoterapia, a promoção da adesão ao tratamento e a educação dos pacientes e suas famílias são essenciais no tratamento do transtorno bipolar na juventude, a fim de melhorar o resultado do tratamento.
Em caso de não-resposta ao tratamento farmacológico, a eletroconvulsoterapia (ECT) tem-se mostrado um tratamento seguro e eficaz tanto para os episódios maníacos quanto para os depressivos em adolescentes com doença grave (Cohen et al., 1997).
Com relação ao resultado a longo prazo de adolescentes que recebem ECT, os resultados sugerem que os adolescentes submetidos à ECT para o transtorno bipolar não diferem no funcionamento social e escolar subsequente de controles cuidadosamente combinados (Taieb et al., 2002), e adolescentes tratados com a ECT não sofrem danos cognitivos mensuráveis em um acompanhamento de longo prazo (Cohen et al., 2000).
Além disso, uma avaliação das experiências e atitudes de pacientes e pais em relação ao uso da ECT na adolescência indica que, apesar das visões negativas sobre a ECT na opinião pública, os adolescentes submetidos ao tratamento e seus pais compartilham atitudes globais positivas em relação à ECT (Taieb et al., 2001).
Perspectivas para o futuro
Na última década, estudos de imageamento estrutural e funcional através de ressonância magnética (MRI, fMRI) geraram uma maior compreensão da neurobiologia do transtorno bipolar em crianças e adolescentes.
Uma vez que as descobertas atuais indicam que os jovens com transtorno bipolar têm alterações fundamentais nas interações cérebro/comportamento que estão na base do processamento emocional, estudos futuros poderiam avaliar como medicamentos ou psicoterapias podem melhorar essas interações cérebro/comportamento (Dickstein, 2010).
O Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia (ECNP) dá suporte a redes de clínicos que buscam melhorar o tratamento em crianças com transtorno bipolar. Como a intervenção precoce pode melhorar o diagnóstico, estudos de tratamento são um objetivo importante para futuras pesquisas (Goodwin et al., 2008).
Conclusão
Nos anos recentes, tem sido observado um aumento considerável no número de crianças e adolescentes avaliados, diagnosticados e tratados para a doença bipolar.
Sintomas tipo bipolar são bastante frequentes em crianças pré-púberes, mas a idade a partir da qual o transtorno bipolar pode ser diagnosticado permanece controversa.
Descobertas neurobiológicas recentes têm avançado nossa compreensão das funções e disfunções emocionais na juventude.
Aspectos desenvolvimentais e fatores ambientais são cruciais com relação ao surgimento e progressão do transtorno bipolar em crianças e adolescentes. Do ponto de vista do desenvolvimento, o transtorno bipolar em adolescentes e o chamado "transtorno bipolar pediátrico" não são a mesma doença, ou dois transtornos relacionados em um continuum comum.
O diagnóstico diferencial é importante para distinguir o transtorno bipolar do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou transtornos de conduta em crianças e adolescentes.
O tratamento do transtorno bipolar em jovens compreende estratégias farmacológicas e não-farmacológicas. Diferenças no perfil de tolerabilidade à medicação devem ser consideradas na tomada de decisões sobre o tratamento e na otimização da relação benefício/risco.
Nos próximos anos, o reconhecimento e o diagnóstico do transtorno bipolar em crianças deverá ser mais fortemente baseado em marcadores biológicos, tais como a estrutura do cérebro e os circuitos neurais. Combinada com o histórico clínico, esta abordagem deverá resultar em diagnósticos e tratamentos melhores, mais específicos e mais precisos.

domingo, 30 de outubro de 2011

Documentário sobre dificuldades de aprendizagem

Documentário na HBO sobre dificuldades de aprendizagem: “Um filme para toda a família sobre muitas formas de aprendizagem.”.


“Não Sei Fazer Isto, Mas Sei Fazer Aquilo” / “I Can’t Do This But I Can Do That”

Um relato inspirador sobre crianças que descobriram habilidades reais e aprenderam a utilizá-las para superar as dificuldades.
Veja a programação: http://www.hbomax.tv/sinopsis.aspx?prog=HBO198538

Fonte:http://www.institutoabcd.org.br/portal/sem-categoria/documentario-na-hbo-sobre-dificuldades-de-aprendizagem-um-filme-para-toda-a-familia-sobre-muitas-formas-de-aprendizagem/

domingo, 23 de outubro de 2011

A Psicologia em diálogo com Edgar Morin

 
Sociólogo francês Edgar Morin participa do debate online 'A Psicologia em diálogo com Edgar Morin' dia 26 de outubro.


O sociólogo francês Edgar Morin vai estar no Conselho Federal de Psicologia no dia 26 de outubro de 2011 para participar do debate online A Psicologia em diálogo com Edgar Morin, das 10h às 12h.
A transmissão será pela página www.pol.org.br, sendo aceitas perguntas enviadas pela internet.
Participam da mesa junto com Morin, o presidente do CFP, Humberto Verona e a conselheira do CFP, Marilene Proença.
Participe, divulgue.

sábado, 22 de outubro de 2011

Crianças que sofrem castigo corporal apresentam QI mais baixo, indica estudo


Crianças que recebem castigos corporais mostram um quociente de inteligência mais baixo em todo o mundo, segundo uma pesquisa da Universidade de New Hampshire (EUA).
"Todo pai e toda mãe deseja filhos inteligentes", indicou Murray Straus, autor do estudo e participante da 14 Conferência Internacional sobre Violência, Abuso e Trauma em San Diego.
"Esta pesquisa mostra que se você evitar o castigo físico e corrigir de outras maneiras os maus comportamentos, você pode conseguir que as crianças sejam mais inteligentes", apontou ao destacar que os resultados do estudo tem implicações importantes para o bem estar dos menores em todo o mundo.
O estudo
Straus e Mallie Paschall, do instituto Pacífico para Pesquisa e Avaliação, estudaram amostrar nacionais representativas de 806 meninos e meninas de dois a quatro anos de idade e 705 com idade de cinco a nove anos. Ambos os grupos foram avaliados novamente quatro anos mais tarde.
Os quocientes de inteligência dos meninos com idade de dois a quatro anos que não recebiam castigo corporal foram cinco pontos mais altos quatro anos depois que os de quem os recebiam.
Os quocientes de inteligência dos meninos de cinco a nove anos de idade livres de castigo corporal foram 2,8 pontos mais altos quatro anos depois do que os menores do mesmo grupo de idade que sofreram castigos físicos.
"Como os pais punem os filhos faz diferença", assinalou Straus, que explicou que na medida em que "mais frequente ou intenso sejam os castigos, mais lento é o desenvolvimento da habilidade mental da criança."
Países com mais castigos
Straus também estabeleceu que o quociente de inteligência é mais baixo nos países onde é mais comum o castigo físico em crianças.
Para esta parte do estudo os especialistas usaram os dados de 32 nações sobre o castigo corporal experimentado por 17.404 estudantes universitários quando eram crianças.
Straus disse que o castigo corporal é extremamente estressante e pode tornar-se fonte de estresse crônico para os meninos e meninas que, geralmente, sofrem castigos três ou mais vezes por semana. Para muitos destes menores o castigo continua durante anos.

QI pode mudar durante a adolescência, afirma estudo

Uma pesquisa britânica publicada nesta quarta-feira (19) pela revista Nature mostra que o QI pode mudar, e muito, durante a adolescência. O estudo revela ainda que a alteração não é só na nota obtida, mas também na estrutura do cérebro.
O QI é a sigla para "quociente de inteligência", teste que mede a capacidade intelectual de uma pessoa. Tradicionalmente, esse valor era considerado estável durante toda a vida. As notas obtidas na infância são usadas pelos educadores para prever o desempenho das crianças no futuro. Portanto, a descoberta de que esse valor varia durante a adolescência pode causar impacto na área.
Os pesquisadores testaram 33 adolescentes em dois momentos diferentes. Em 2004, quando eles tinham entre 12 e 16 anos, foram submetidos a testes de QI e de ressonância magnética, para análise da estrutura do cérebro. Os exames foram repetidos em 2008 com os mesmos participantes e os dados obtidos foram comparados.
A diferença entre as notas obtidas chegou a 20 pontos para mais ou para menos.
“Nós encontramos uma correlação clara entre essa mudança na performance e as mudanças na estrutura do cérebro, então podemos dizer com alguma certeza que essas mudanças no QI são reais”, avalia Cathy Price, pesquisadora da Universidade College, de Londres, no Reino Unido.
“É análogo à forma física. Um adolescente que tem um corpo atlético aos 14 pode estar fora de forma aos 18 se parar de fazer exercícios. Por outro lado, um adolescente fora de forma pode melhorar se fizer exercícios”, compara Price.
Novas pesquisas deverão ser feitas para descobrir o que causa as mudanças no QI e no cérebro registradas e também para determinar se a tendência continua durante a fase adulta.